Eu não fugi ... mudei de casa ... estou aqui sonhandoaosquarenta.blogs.sapo.pt/
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Nos últimos tempos tentei ir mudando o Mundo de Sonhos da mesma forma que a minha vida se foi alterando. Tentei adequar todas as transformações do meu mundo a este mundo sonhador. Mas, cheguei há conclusão que existem coisas que nascem por uma razão e só fazem sentido se essa razão continuar a existir. Inexplicavelmente e, apesar de todas as tentativas de mudança de visual por aqui tenho-me sentido sufocada. O meu Mundo de Sonhos encerra-se tal como eu encerrei um capitulo da minha vida. Vai, no entanto, ficar por aqui como uma caixinha de memórias onde eu possa voltar sempre que me apetecer.
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Podia começar a julgar quem trai mas não sou ninguém para o fazer. Podia falar de todos os prós e contras de uma traição e até podia começar a falar do velho estigma de que se for um homem a trair é um herói e se for uma mulher a fazê-lo é uma heroína mas da má vida. Podia falar disto tudo mas não é por aí que hoje me apetece ir.
Já repararam que uma mulher trai com o coração e um homem trai com a razão? Pelo menos este é o comportamento padrão que tenho observado à minha volta. De facto , o homem trai pela sensação de perigo, pela sensação de macho latino, pela sensação de conquista e por um corpo que o seduza. E, mesmo que se apaixone verdadeiramente são poucos os casos em que o assume. Uma mulher trai pela conquista, pelo jogo de sedução, para se sentir amada e porque se apaixona verdadeiramente. E, se se apaixona verdadeiramente não tem qualquer problema em arriscar pelo que sente independentemente do que os outros possam ou não pensar.
Neste contexto há uns dias um grande amigo meu dizia-me que a traição de uma mulher é muito mais grave do que a de um homem porque uma mulher trai com o coração e o homem trai com a razão. Sinceramente nunca tinha visto as coisas por essa perspectiva mas que depois da conversa fiquei a pensar no assunto lá isso fiquei.
Para mim seja homem seja mulher grave é traírem-se confianças, promessas, vontades e sobretudo trairmo-nos a nós próprios.
Todos sabemos que o tempo ajuda a suportar a dor, a curar feridas e sobretudo a fazer-nos ver situações, momentos e atitudes com olhos de espectador em vez de olhos de interveniente.
O meu divórcio foi duro, difícil e teve consequências não só para mim mas para todos os que me rodeavam. A sociedade acusou-me, julgou-me e condenou-me em praça pública. De repente deixei de ser boa para passar a ser má, deixei de ser respeitável para ser leviana, deixei de ser quem sempre fui para ser o que os outros achavam que eu era.
Afastei-me sem me defender porque percebi que não valia a pena. Afastei-me não só para me proteger mas principalmente para proteger os meus filhos. Afastei a ideia de ir morar para onde inicialmente pensei ir porque a pressão seria muita. Refugiei-me no meu mundo e assim me deixei ficar.
Há dias encontrei quem mais me julgou e quem mais me condenou. As filhas perceberam que havia família do outro lado que não conheciam e primos que tinham esquecido. Uns dias depois convidaram as filhas para ir lá passar uns dias. As filhas ficaram entusiasmadas e disseram logo que queriam ir. Eu, acreditem ou não, não hesitei disse-lhes que sim. Que podiam ir que precisavam de ter referencias familiares. Simplesmente adoraram e quando as fui buscar ficou a promessa de poderem voltar.
Eu? Mesmo sem querer nesses dias revivi palavras e situações que tanto me magoaram. Sei que com o afastamento se perderam momentos mas também sei que foi feito o melhor para a situação que era. Hoje? Não guardo nem ressentimentos nem mágoas porque o tempo encarrega-se de mostrar não só a verdade dos factos mas principalmente a essência das pessoas. Porque o tempo nos faz reflectir que por vezes não vale a pena olharmos para o lado, porque o tempo me ensinou que o caminho deve-se fazer sempre em frente, com um mapa onde estejam assinalados todos os trilhos anteriormente feitos todos os rumos anteriormente tomados. Porque o tempo me ensinou que quem desenha o meu mapa sou EU.
Quero-te hoje e tenho a certeza de que te vou querer amanhã. Perco-me em ti sem sequer me perder de mim. Estranho o sentimento mas não estranho a tua presença. Quero-te mas calmamente, com a certeza de não existem pressas para vivermos o que sentimos. Quero o teu sorriso, a tua voz, os teus gestos quero-te a ti sem me perder de mim.
Só assim faz sentido, sermos um nós constituido por um eu e um tu. Só assim faz sentido sermos um nós sem nunca perdermos o eu. Digo que só assim faz sentido porque é só assim que consigo viver. Só assim consigo viver e só assim consigo sentir.
Quero-te hoje sem medos e fantasmas. Talvez porque te quero de forma natural, sem ser pensada sem ser sequer ponderada. Mas o amor não se compadece de ponderação, de certezas ou verdades. Se assim fosse amariamos quem desejavamos amar, sentiamos o que desejavamos sentir e viviamos o que desejavamos viver
Hoje amo quem desejo amar, sinto o que desejo sentir e vivo o que desejo viver.
A primeira vez que entrei na fábrica foi por puro acaso. Aventurei-me por caminhos que não conhecia e quando dei por isso não só estava já à porta como tinha entrado e visitado as instalações. Contrariamente ao que esperava ninguém me perguntou nada, ninguém me incomodou, ninguém sequer me disse que não poderia estar ali.
Quando voltei deixei-me ficar à porta a observar a fachada, gostei da arquitectura, gostei do logótipo e admirei-me com aquele cartaz enorme onde não só eram dadas as boas vindas como se anunciava a necessidade de operários. Resolvi entrar devagarinho, pé ante pé para observar, para perceber, para ter a certeza do que se fabricava por ali. Sou assim gosto de perceber, observar, ver tudo antes de me manifestar.
Passei pela sala de produção de letras mexi nos “as” nos “es” e observei os “f” e os “l”. Perdi-me na exposição de contextos observei durante horas os quadros do Amor, da felicidade, e da paixão. Caminhei pelas frases de ânimo e desânimo, encontros e desencontros, amores e desamores. Instalei-me a observar os parágrafos, li e reli ideias e certezas, posições e decisões. Retive-me com mais atenção nas pontuações, percebi que tenho preferência por virgulas e pontos finais e que os pontos de interrogação não me seduzem. Por fim não sei por quanto tempo vaguei pelas histórias lendo-as e relendo-as vezes sem conta.
Impressionei-me com o profissionalismo dos operários, a calma da Gerente e o ambiente divertido de toda a Fábrica. Ri-me, emocionei-me mas a palavra certa para tudo o que senti foi a de admiração. Admiração pelo que vi, pelo que li mas mais pelo que senti. Admiração pelos operários que todas as semanas vestem a farda e se dirigem à linha de produção, operários que com a mesma matéria prima conseguem produzir resultados tão diferentes. Operários que através de letras produzem alegria e tristeza, riso e choro, gargalhadas e lágrimas. Operários que através da imaginação produzem sonhos que nos fazem pensar.
Hoje, passeio por todos os recantos da minha imaginação, visto a farda ponho-me a caminho e todas as semanas produzo aquilo que uma palavra me dá. Hoje eu posso dizer que sou orgulhosamente uma operária de uma fábrica de histórias mas prefiro dizer que sou orgulhosamente uma operária de uma fábrica de sonhos.
6 de Setembro de 2009 o mundo gira e eu voltei à terra. Lá por fora no sul da índia a morte do politico Y.S. Rajasekhara Reddy provocou inúmeros ataques cardíacos e outro sem numero de suicídios tentei perceber o que se tinha passado e depois de me informar entendi que por lá esta é uma forma de chorar a morte de um líder politico que admirem. Dalai Lama encontrou-se com o Cardeal Católico do Taiwan e como não poderia deixar de ser lá veio a China condenar o encontro. O tribunal Holandês impede adolescente de 13 anos de dar a volta ao mundo sozinha num barco apesar dos pais não se terem oposto.
Por cá despediram a Manuel Moura Guedes e não sei quantos mais. Os políticos continuam na corrida aos votos e a festa do avante já começou. O Sapo fez 14 anos e a Cinha Jardim vai ser avó. As aulas estão a começar, os livros são caríssimos e as listas intermináveis de materiais fazem com que me dê vontade chorar. O Sistema Nacional de Saúde está com falha na resposta aos casos de Gripe A e ainda estamos só de inicio e a Selecção Portuguesa empatou com a Dinamarca.
Cá por casa deixamos de sonhar com o George Clooney, Hugh Grant ou outro qualquer intocável. As reparações foram-se fazendo e agora só me dava mesmo jeito um canalizador. Dispensámos a empregada a bem de um carro e a ansiedade causada pela falta de nicotina é descarregada no aspirador e no ferro. O mau feitio está a desaparecer mas os quilos estão a surgir. Por cá achamos que finalmente encontramos carro mas só acredito depois de tudo assinado e agora se me dão licença vou ali comer mais umas bolachinhas porque os chocolates já acabaram.
Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo Eu mesma.
E aqui estamos nós com a segunda colectânea da Fábrica de Histórias. Sensação estranha ver o que escrevemos impresso em livro. Mas que estou babada lá isso estou.
O primo festejou mais um aniversário da filhota. No dia em que a miúda casar não quero imaginar como será. Fomos todos os tios, o porco a assar, as tias, as sardinhas, os primos, as caracoletas, as primas, as farófias, os filhos e filhos das primas, o arroz doce, os amigos, a mousse de chocolate, os filhos dos amigos, e todos as iguarias que passei o dia a comer.
O dia estava lindo os miúdos correram o dia inteiro entre brincadeiras e banhocas. Nós os adultos conversamos, vigiámos os mais pequenos e pusemos conversas em dia.
Dei comigo a olhar para os primos com admiração pela felicidade que imanam e pela simplicidade como vivem. Nesse dia olhei para eles e para os amigos que cresceram connosco e percebi que de facto ao seguirem-se caminhos diferentes ganha-se e perde-se. Eu quis mais porque o que tinha era pouco para mim. Eu parti eles ficaram. Eu ganhei amigos diferentes, uma formação diferente, uma visão diferente da vida que me fez ter uma postura diferente. Eu vivi noutros sítios e conheci outros locais Eu conheci inúmeras pessoas, vivi ilusões e desilusões. Eu procurei mais porque tinha necessidade de o fazer. Eles ficaram porque tinham necessidade de ficar.
Eles mantém amizades de uma vida, cumplicidades e rotinas idênticas. Eles riem juntos porque nunca se separaram. Eles conhecem-se uns aos outros e mantém as melhores amizades que podem existir que são as amizades de infância. Nestes momentos eu limito-me a rir desta ou aquela situação. Eu recordo esta ou aquela situação com um “lembras-te quando ..” mas recordo como quem recorda algo que se perdeu no tempo. Eles recordam como se fosse ontem porque para eles foi de facto ontem. Eles falam dos mesmos assuntos e das mesmas situações.
Eu dei comigo a pensar que um dia pertenci aquele mundo e hoje já não pertenço. Eu dei comigo a pensar que apesar de tudo ali me sinto confortável. Eu dei comigo a pensar pela primeira vez na vida que ganhei tanto mas também perdi muito. Eu dei comigo a pensar como seria se também eu tenho ficado.
Só para avisar que:
1 - A falta de nicotina está a ser substituida por tudo o que está na despensa;
2 - O meu francês preferido está a ser substituido por tudo quanto é chocolate;
3 - A proxima vez que alguém me pedir para explicar novamente como dei cabo do motor do carro não respondo por mim.
Um excelente Fim de Semana
Há uns tempos pedi-te para vires com mais certezas. Hoje percebi que chegaste, hoje percebi não só que chegaste mas que te instalaste tão confortavelmente que nem dei por ti. Espera, não digas nada. Deixa-me dizer-te como me sinto. Dá-me a oportunidade de falar novamente contigo quando há muito tempo não o fazia. Dá-me a oportunidade de te sentir de uma forma como sempre te devia ter sentido. Dá-me a oportunidade de te ter sem medos, sem pressas, sem qualquer tipo de dúvida. Dá-me a oportunidade de te ter apenas pelo que és e não pelo que gostaria que fosses. Dá-me a oportunidade de não te tentar explicar nem perceber mas apenas viver-te. Dá-me a oportunidade de ser feliz contigo.
Gosto do sorriso que me colocaste no rosto, gosto das gargalhadas que me fazes dar, gosto das palavras que ouço mas gosto mesmo das emoções que me fazes sentir. Derreto-me com um olhar, sonho com um encontro, vibro com uma voz e sorrio sem razão aparente. Sonho com beijos, anseio por abraços, e quero que me sussurrem tudo o que sentem por mim. Quero estar e quero ficar. Perco-me em pensamentos e imagino situações. Quero que o tempo pare neste momento. Quero viver cada segundo como se fosse um dia, cada minuto como se fosse uma semana, cada hora como se fosse um mês. Quero viver tudo em câmara lenta para não perder nenhum pormenor. Quero guardar para sempre o que sinto, quero manter-te assim como estás.
Eu sei pode parecer ridículo, pode parecer idiota pode até parecer um exagero mas é assim que me sinto. E, afinal de contas não é o que todos dizem que tu és ridículo? Que nos fazes sonhar, acreditar e lutar contra tudo e contra todos somente porque te sentimos?
A minha opinião? É isso que me estás a pedir? A minha opinião é que só te acha ridículo quem nunca te sentiu de verdade, só te acha ridículo quem nunca te assumiu, só te acha ridículo quem nunca lutou por ti.
Eu? eu pedi-te para vires com mais certezas e tu chegaste. Que queres que te diga? Que te sinto? Que me apetece gritar aos sete ventos, correr descalça na rua, abraçar todos os que encontrar? Mas qual é a dúvida? Sou eu, a sonhadora aquela que nunca deixou de acreditar.